Museu Mais Antigo de Portugal Série de Exploração: Animais e Seu Significado

A arte de Paleolítico inclui três temas: animais, sinais e marcas de mão, figuras raras de humanismo. Destes, figuras e impressões de mão-de-obra podem nem estar presentes, os sinais podem ser incomuns, mas o que nunca pode faltar são os animais, os sujeitos por excelência da arte pré-histórica. Os animais retratados são frequentemente herbívoros, enquanto os carnívoros, peixes e aves são bastante raros.
Lero-Gourhan, um grande estudioso da arte Paleolítico, mostrou que na bestiário da arte pré-histórica há uma clara hierarquia figurativa. O animal mais representado era o cavalo, que está presente em quase todos os complexos da arte parietal. O segundo grupo inclui o bovídeos, especialmente o bisão e o uro (Bos primigenius). Horse e bovídeos são o tema central da arte Paleolítico. Um terceiro grupo consiste em animais que Leroi-Gourhan chamado de “animais complementares”. O mais retratado destes são o cervo e o Hind. Curiosamente, nos complexos de arte parietal com o clima frio animais como o mamute, o rinoceronte Wooly (Coelodonta antiquitatis) ou a rena, é igualmente presente o veado, clima temperado animal. Em seguida, segue o mamute, presente em toda a área Franco-Cantábrico, mas ausente na Itália e no sul da Península Ibérica. Em algumas cavernas é entretanto o animal o mais retratado (Merle Pech, Chabot, Arcy) ou em todo o caso extensamente atual (Rouffignac). Depois do mamute, os animais mais representados são o Ibex e as renas. Animais mal representados e retratos nas partes mais profundas e inacessíveis das cavernas, são o leão-das-cavernas (Panthera spelea), o urso e o rinoceronte peludo. O caso de Rouffignac, onde o rinoceronte peludo constitui mais da metade de todas as figuras pintadas, é excepcional.
Ainda mais raros são as figuras monstruosas ou fantásticas (figuras de humanismo com cabeça de animal), peixes e pássaros. Concluem a lista de animais que foram retratados poucas vezes: o Megacero (Megaloceros giganteus), o antílope Saiga, o javali, o lobo e a raposa.

Entretanto, a caverna de Chauvet tem um bestiário muito diferente comparado ao tradicional das cavernas da área de Franco-Cantábrico. Os estudos de Georges Emanuel têm mostrado a importância de analisar os dados não só com base nas percentagens de representação de um animal em particular, como tinha feito Leroi-Gourhan, mas também tendo em conta os dados de um ponto de vista geográfico e Cronológica. Na composição do Paleolítico bestiário há variações regionais tão sensíveis. Se o cavalo par e Bison ou uro é o tema dominante dos Pirinéus, na Cantábria é a de cavalo e veado ou cerva. Assim como importantes são as variações cronológicas. Na Cantábria o bisão e o uro que no período mais antigo ocupam o terceiro lugar após o cervo e o Hind, no período mais recente eles sobem em primeiro lugar, seguido pelo cavalo, enquanto o cervo e o Hind descem em terceiro lugar. Se a rena no período o mais adiantado está ausente nos Pirinéus, em um período mais recente do Paleolítico aumenta na importância em todas as regiões. O mérito de Leroi-Gourhan é, no entanto, ter mostrado que as figuras dos animais na arte do Paleolítico não são aleatórios, mas seguem um padrão lógico.

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