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Manifestos GAMNA
Manifesto GAMNA
Nunca serão demasiados os esforços feitos na defesa e divulgação das memórias de todos os que nos precederam em solo que hoje consideramos nosso. Especialmente assim é em períodos de acelerada transformação social e profunda modificação da paisagem, como, por ironia da roda da história, parecem ser os fins de século.
Há cem anos coube a José Leite de Vasconcellos, patriarca da cultura portuguesa contemporânea e mestre de gerações sucessivas de investigadores, chamar a si esta missão. Vivia-se, tal como agora, uma época de grandes exposições - sem dúvida importantes no combate ao desenraizamento cultural. Mas Leite de Vasconcellos alcançava mais longe: “as grandes exposições nacionais contribuem para atenuar o mal; mas um museu etnográfico, pela sua acção permanente, influi muito mais. Um povo que ignora a sua história, e os elementos de toda a ordem que o constituem, não pode ter ideal. E um povo sem ideal é como se estivesse morto”. Assim nasceu o “Museu Etnográfico Português”, depois sucessivamente designado por “Museu Etnológico Português”, “Museu Etnológico do Doutor Leite de Vasconcelos”, “Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia” e “Museu Nacional de Arqueologia do Doutor Leite de Vasconcelos”.
Passado um século, cabe à nossa geração prosseguir a obra de Leite de Vasconcellos. Para o fazer, nada melhor do que nos reunirmos à volta da instituição por ele fundada. E, como Herculano já antes fizera em relação aos monumentos pátrios, clamarmos nós também, “como o antigo eremita”, pela sua defesa e constante promoção, através do enriquecimento dos seus acervos, da investigação das suas colecções, da diversificação dos seus programas expositivos, da qualidade das suas publicações, do apetrechamento dos seus serviços, enfim, da ampliação e profunda remodelação das suas instalações. De facto, o conhecimento dos percursos do passado é condição de melhor delinear os passos para o futuro.
Numa ocasião em que os perigos de excessiva diluição cultural paneuropeia se equivalem aos do mais estreito localismo, torna-se indispensável o cultivo saudável e esclarecido das sucessivas identidades históricas que o tempo se encarregou de sedimentar nos territórios que recortam, dividem e unem entre si as nações modernas. Para o conseguir nada melhor do que a arqueologia, domínio da história de longa duração, por excelência.
Eis porque, neste final de século e de milénio, nos declaramos Amigos do Museu Nacional de Arqueologia, fazendo-o perante quem connosco deseje partilhar esta condição e dispondo-nos a constituir, no mais breve prazo, uma plataforma associativa que dê expressão às intenções de todos os que adiram ao projecto.
O País precisa de ver boa saúde nos seus Museus Nacionais. O País precisa de ver representada no Museu Nacional de Arqueologia a sua reconhecida riqueza arqueológica. O País precisa, enfim, de ver acarinhado e sempre actualizado o sonho de Leite de Vasconcellos. Tudo o que possamos fazer neste sentido, será pouco.
Download - manifesto GAMNA [pdf] [51KB] Download - estatutos do GAMNA [zip] [52KB]
Manifesto Para quando as obras de ampliação do Museu Nacional de Arqueologia? Passa agora meio século desde que se iniciaram as diligências para que o actual Museu Nacional de Arqueologia (MNA) se veja dotado de melhores e mais amplas instalações. Criado em 1893, por decreto de Bernardino Machado, e instalado desde 1900 no complexo monumental do Mosteiro dos Jerónimos, o MNA possui o único repositório de todos os povos e culturas do território português, desde as origens até à fundação da nacionalidade. As suas colecções constituem, em vários domínios, um dos mais importantes acervos arqueológicos da Europa. A recente inclusão na lista dos “Tesouros Nacionais” de largas centenas de peças do MNA confirma plenamente estas avaliações. Todavia, mesmo a maior parte das peças mais notáveis encontra-se permanentemente em reserva, por falta de espaço expositivo. Não obstante a intensa actividade que tem desenvolvido, a excelência dos serviços que presta e a qualidade das exposições temporárias que promove, o MNA não possui sequer uma galeria permanente que dê a conhecer suas colecções de referência a nacionais e estrangeiros. Sucessivos Governos, nas pessoas dos ministros da Cultura e dos primeiros-ministros, têm na última década prometido solenemente a realização de obras de remodelação e ampliação do Museu, no complexo dos Jerónimos. Este objectivo foi considerado prioritário e incluído em programas eleitorais e de governação. Chegou a ter financiamento inscrito no Programa Operacional da Cultura que está agora a chegar ao fim. Mas os anos correm sem que se vejam resultados. O projecto de revitalização da zona de Belém, recentemente divulgado, apenas assinala a intenção de infra-estruturar sumariamente o pátio comum com o Museu de Marinha, nada dizendo sobre a prometida obra de fundo do MNA – que no entanto foi objecto de sucessivos projectos arquitectónicos muito qualificados, encomendados e pagos por dinheiros públicos, visando não só alargar significativamente as áreas expositivas do Museu como qualificar zonas importantes dos Jerónimos do século XIX. Por tudo isto, os signatários sentem-se no dever e no direito de perguntar o que se passa. De saber porque não são levados à prática os compromissos dos governantes e se anunciam outros cuja pertinência e prioridade muito ganhariam em ser previamente discutidas com os especialistas e sujeitas a escrutínio público, tendo em conta a coerência global da oferta museológica portuguesa. Declarando-se nesta circunstância amigos da Casa que um dia José Leite de Vasconcelos fundou, os signatários mantêm-se atentos ao futuro próximo do MNA e manifestam-se contra o arrastamento deste magno problema da museologia portuguesa. Instam, pois, os poderes governativos a que passem das palavras aos actos e publicamente apresentem um programa de intervenção credível.
Download - Manifesto obras MNA [pdf] [42kb] Download - Subscritores obras MNA [pdf] [450kb] Download - Memorando de Remodelação e Ampliação do MNA [pdf] [370kb] Download - Imagens Google Earth sobre MNA [pdf] [87kb] Download - Recortes de Imprensa [pdf] [463kb]
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