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O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objectos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou doação de investigadores e coleccionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às colecções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda é o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas colecções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.

Este mês, fique a conhecer mais sobre o Busto Faraónico. A apresentação será feita pelo Dr. Ronaldo Gurgel Pereira, dia 18 de Maio de 2013 às 15h. 




 
 


 
Busto Faraónico

nº de inventário: E 196
cronologia: Época Baixa ou Ptolemaica, sec. VII-II a. C.
 
 

Fragmento superior do busto de um faraó egípcio, de datação imprecisa e proveniência desconhecida. A peça foi esculpida em basalto e apresenta elementos estilísticos característicos de dois possíveis períodos históricos: a Época Baixa (664-332 a.C) e o período Helenístico (332-27 a. C.).
O que torna o processo de identificação da peça apenas pelo estilo artístico é o facto de que a arte da Época Baixa formou uma convenção canónica largamente seguida ao longo da dominação helenística (o chamado “estilo egípcio”), principalmente durante as primeiras dinastias ptolemaicas. Essa ambiguidade dificulta a precisão do trabalho de identificação, uma vez que a peça não apresenta nenhuma inscrição naquela porção presente no museu.

O busto apresenta sinais de engastes – possivelmente em ouro – representando o colar honorífico e dois braceletes. Na testa, à frente do toucado real, há um orifício para a implantação de uma outra insígnia faraónica: a serpente Uareus. Há um segundo orifício no topo da cabeça da imagem, sugerindo que ali deveria surgir outro atributo real: a coroa dupla. Finalmente, um terceiro orifício por baixo do queixo, sugere a existência de mais uma insígnia real: a barba osiríaca.
Possivelmente o busto fazia parte de uma figura em pé, em posição de marcha, conforme sugere a existência de um pilar dorsal que se inicia pouco abaixo dos ombros da figura.
A estatuária real fazia parte de uma complexa política de propaganda. Esse tipo de estátua comummente era destinado a templos ou santuários. Nesse caso, o busto pode ser o que restou de uma imagem destinada ao culto faraónico.

Assumindo que este exemplar date realmente do início do domínio helenístico, pode-se especular, com base em estatísticas, que ele seja proveniente da região do Delta. Nesse caso, assume-se que a peça se adequa à descrição geral da estatuária real produzida ao longo do século III a. C. (período helenístico): dimensões, material e estilo.


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